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Estudo

A série no tempo, e por que ela não sustenta tendência

Estudo próprio · coleta de 31/08/2026 · 2.570 registros examinados · valores corrigidos para 2026-07 · fonte: PNCP — Portal Nacional de Contratações Públicas, API pública de busca

O primeiro estudo desta casa declarou, na seção de limites, que a amostra não sustenta inferência de tendência. Este estudo faz a conta assim mesmo, corrigida pela inflação, e mede por que aquela declaração estava certa. O resultado é um caso exemplar de número que parece achado e não é.

Nesta página
  1. O número que parece um achado
  2. Por que não é tendência
  3. O que esta base sustenta, então
  4. O que faria uma série de verdade
  5. Limites

O número que parece um achado

A tabela rola para o lado — arraste para ver todas as colunas.

Mediana do valor global de contrato, por ano, em valor nominal e corrigido
AnonÓrgãosMediana nominalMediana corrigida
2023117sem faixa: menos de 30 registros no ano
20244318R$ 5.760R$ 6.269
202511279R$ 5.530R$ 5.805
2026497232R$ 3.190R$ 3.508

Lido de cima para baixo, isso parece uma queda de 44% em valor real entre 2024 e 2026. Seria um achado e tanto, e seria falso.

Por que não é tendência

1. A composição muda entre os anos

A mediana geral responde à mistura de objetos, não só ao preço de cada um. Se a proporção dos temas muda de um ano para o outro, a mediana muda junto, mesmo que nenhum preço tenha se mexido.

A tabela rola para o lado — arraste para ver todas as colunas.

Composição da amostra por ano, nos quatro temas mais frequentes
AnoOs temas mais frequentes daquele ano, em % dos registros classificados
2023Curso e instrutoria — Lei 14.133 e contratações: 66.7% · Curso in company (turma fechada): 33.3%
2024Escolas de governo (instrutoria): 44.4% · Curso e instrutoria — Lei 14.133 e contratações: 22.2% · Curso e instrutoria — inteligência artificial: 14.8% · Estudo, diagnóstico e nota técnica: 14.8%
2025Curso e instrutoria — Lei 14.133 e contratações: 23.2% · Estudo, diagnóstico e nota técnica: 18.9% · Curso e instrutoria — inteligência artificial: 16.8% · Escolas de governo (instrutoria): 12.6%
2026Curso e instrutoria — Lei 14.133 e contratações: 40.8% · Curso e instrutoria — inteligência artificial: 20.6% · Assessoria técnica a câmara municipal: 12.8% · Prestação de contas e Tribunal de Contas: 9.2%

Entre 2024 e 2026, a participação dos temas mais caros cai e a dos mais baratos sobe. A "queda de preço" é, em boa parte, a entrada de outro tipo de contrato na amostra.

2. A cobertura por ano é desigual por construção

A coleta é ordenada por data, o que concentra os registros nos anos recentes: 2026 tem 497 registros e 2024 tem 43. Anos com poucos registros não descrevem o ano; descrevem o que a busca alcançou. Os anos abaixo de 30 registros aparecem na tabela sem faixa, com o n visível, porque sumir com a linha faria parecer que o ano não existiu.

3. Nem dentro de um tema dá para comparar

A forma correta de isolar a composição é comparar o mesmo tema entre anos. Feito isso, só 2 tema(s) alcança o mínimo de registros em mais de um ano:

Curso e instrutoria — Lei 14.133 e contratações: registros por ano
Curso e instrutoria — Lei 14.133 e contratações2023202420252026
registros262289
mediana corrigida———R$ 4.469
Curso e instrutoria — inteligência artificial: registros por ano
Curso e instrutoria — inteligência artificial202420252026
registros41645
mediana corrigida——R$ 4.172

Com um único ano por tema acima do mínimo, não há dois pontos para ligar. Uma série de um ponto não é série.

4. A correção pela inflação não conserta nada disso

Corrigir os valores pelo índice de preços torna reais de 2024 comparáveis a reais de 2026 em poder de compra. É necessário, e este estudo o faz, com base em 2026-07. Mas corrigir valor não torna amostras comparáveis: se os contratos de um ano são de outra natureza, a correção só deixa a comparação errada em moeda constante.

O que esta base sustenta, então

  • Ordem de grandeza do preço corrente, por linha de serviço, que é o que a ferramenta de faixa observada publica, sempre com o n e o período à vista.
  • Composição das vias de contratação na amostra, que o primeiro estudo descreve.
  • Diferença entre compradores num mesmo momento, que o segundo estudo mede com preço unitário.
  • Não sustenta tendência, projeção, nem afirmação de que o mercado ficou mais barato ou mais caro.

O que faria uma série de verdade

Está escrito aqui para que a próxima revisão tenha critério, e para quem quiser fazer por conta própria:

  1. Coleta por janela de tempo fixa, com o mesmo conjunto de termos em cada janela, e não ordenada por data.
  2. Registro do número de resultados por consulta e por janela, para medir a cobertura em vez de supô-la.
  3. Comparação dentro do mesmo tema e da mesma unidade de medida, com n mínimo em cada ponto.
  4. Correção pela inflação declarada, com a base e o índice nomeados, como se faz aqui.
  5. Um teste explícito de composição: se a mistura de temas mudou, a mediana geral não é comparável, e isso precisa aparecer antes do gráfico.

Limites

  • Só contratos assinados com valor global entram. Equivalente mensal e preço unitário são séries diferentes e não se misturam.
  • A data usada é a data de referência do registro, que nem sempre é a data da assinatura.
  • A classificação por tema é automática, a partir do objeto escrito por quem contrata, e tem erro.
  • Nada aqui é referência oficial de preço.

A base está publicada para download na página do primeiro estudo, e a apuração pode ser refeita. Se você repetir a conta e chegar a outro resultado, avise: é erro nosso, e corrigimos com registro público da correção.