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Por que no aberto

Por que trabalhamos no aberto

É difícil e caro fazer negócio com o Estado. Parte disso é da natureza da coisa: a lei impõe forma, publicidade e controle ao dinheiro público, e deve impor. Outra parte não é — é opacidade: dado que não se acha, prazo que não se cumpre, critério que não se conhece, decisão que não se explica. Esta página diz o que fazemos a respeito, e por que isso define o nosso jeito de trabalhar.

Nesta página
  1. O preço da opacidade
  2. A conclusão fácil, que recusamos
  3. O que isso nos obriga a fazer
  4. Melhoria por infraestrutura, não por opinião
  5. Como cobrar isto de nós

O preço da opacidade

Quando o critério não é conhecido de antemão, todo mundo paga um prêmio de incerteza. O fornecedor sério precifica risco que não sabe medir, ou desiste, e sobra quem tem estômago para o risco, não quem tem a melhor solução. A equipe pública compra pior, mais devagar e com mais retrabalho, porque o processo consome a energia que deveria ir para o problema. E o cidadão paga duas vezes: no preço e no serviço que não recebe.

Não trazemos essa afirmação como um dado medido: é a leitura de quem trabalha nesse ambiente, e a apresentamos como tal. Onde tivermos número, ele vem com fonte e data — é assim que publicamos nossos estudos.

A conclusão fácil, que recusamos

Existe uma leitura confortável desse diagnóstico, e ela é a seguinte: se a fiscalização cívica melhora o ambiente, e um ambiente melhor gera mais negócio, então convém a uma consultoria manter iniciativas de fiscalização por perto. Rejeitamos essa formulação, não por soar mal, mas porque descreve um funil: um projeto cívico que existe para criar demanda comercial. Nenhuma regra protege um arranjo cuja razão de ser é essa, e quem o adota perde justamente o que fazia o lado cívico servir para alguma coisa.

A formulação que nos vincula é a inversa:

A mesma opacidade que torna a fiscalização necessária é o que encarece servir bem ao setor público. Quem vive de prestar serviço ao Estado tem, por isso, interesse direto em que a fiscalização não dependa dele: fiscalização sob suspeita de ser instrumento comercial não corrige nada, e o ambiente continua caro. A separação entre as duas atividades não é uma concessão à crítica — é a condição para que qualquer das duas valha alguma coisa.

Por isso os vínculos desta consultoria com os projetos cívicos da mesma iniciativa são declarados, com nome, em ética e limites; por isso nenhuma página deste site linka esses projetos ou usa o nome deles como credencial; e por isso a verificação automática deste site reprova a publicação se isso acontecer. Uma separação entre partes anônimas não seria conferível por ninguém.

O que isso nos obriga a fazer

  • Publicar preço. Faixa por linha de serviço, com o que faz o valor variar, antes de qualquer conversa, em preços. Preço sob consulta é o primeiro degrau da opacidade que criticamos.
  • Publicar o caminho da contratação. As vias, os documentos e os prazos estão em como contratar, e os modelos, no kit de contratação, de graça e sem exigir que a instituição nos contrate para usá-los.
  • Publicar o que recusamos. A lista de recusas e de quem nunca pode ser cliente está em ética e não muda conforme o cliente. Uma regra que só aparece depois da proposta não é regra.
  • Entregar método, não dependência. A proposta diz o que você recebe e o que não está incluído; o trabalho é feito para que a sua equipe consiga refazê-lo. Consultoria que só funciona enquanto está contratada é outro tipo de captura.
  • Dizer o que ainda não opera. A tabela de controles em ética separa o que já funciona do que está em implantação. Anunciar controle que não opera é exatamente a falha que se cobra do setor público.

Melhoria por infraestrutura, não por opinião

Esta é a aposta da iniciativa como um todo: ferramenta e disciplina mudam mais prática pública do que juízo publicado. Do lado cívico, isso significa publicar método, mapa e instrumento para que qualquer pessoa chegue à fonte oficial por conta própria, sem avaliar governos, sem recomendar, sem ranquear e sem concluir no lugar das instituições. Do lado dos serviços, significa que a nossa contribuição é capacidade instalada numa equipe pública: rotina que passa a existir, dado que passa a ser encontrável, contratação que passa a ser explicável.

É uma forma lenta de melhorar o setor público, e é a que resiste a mudança de governo. Não temos posição partidária, não trabalhamos para campanha, candidato, partido ou comitê em nenhuma data, e não é disso que trata este texto: trata de quanto custa, a todos, um Estado que não se deixa entender.

Como cobrar isto de nós

Tudo o que está acima é verificável sem confiar em nós: o preço está publicado, as regras estão publicadas com a data em que passaram a valer, e a versão anterior de cada uma permanece no histórico do repositório. Se uma proposta nossa contrariar o que esta página diz, o erro é nosso, e o canal para apontá-lo é o contato, com a mesma resposta que damos a qualquer pessoa, cliente ou não.